História do copywriting – como evoluiu esta profissão?

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O copywriting é uma área que ganhou grande popularidade nas últimas décadas, como consequência natural do desenvolvimento do marketing digital e das novas tecnologias. Apesar de o seu maior crescimento ter ocorrido recentemente, o seu potencial começou a afirmar-se muitos anos antes. Neste artigo, apresentamos a história do copywriting – desde as antigas tabuletas de argila dos Sumérios até à era da inteligência artificial.

História do copywriting – os primórdios

Para abordar uma questão tão abrangente como a história, temos primeiro de definir com precisão o conceito de copywriting.

Copywriting é o processo de criação de conteúdos profissionais que cumprem objetivos específicos de marketing e vendas do cliente.

Dito de outra forma, é um investimento que gera retorno num determinado horizonte temporal. Se encararmos a questão desta maneira, temos de admitir que a história não é assim tão distante, muito menos quando falamos de copywriting especificamente digital.

Tentaremos, ainda assim, apresentar um panorama histórico geral que conduziu à autonomização desta profissão.

O desenvolvimento da escrita – há 5000 anos

Para que o copywriting pudesse surgir, tinham primeiro de existir recursos que permitissem realizar esse trabalho. Naturalmente, a ferramenta fundamental é a escrita, que provavelmente se desenvolveu mais cedo entre os Sumérios, por volta de 3500–3000 a.C.

Tratava-se da primeira civilização desenvolvida a utilizar símbolos específicos para registar existências ou atribuir direitos de propriedade. Este povo habitava o sul da Mesopotâmia, onde surgiram os primeiros sistemas de registo de recursos – uma forma inicial de comunicação comercial de informação.

Uma imagem que ilustra a história do copywriting, apresentando uma tabuleta de argila com escrita cuneiforme.

A tabuleta de argila mais antiga do mundo que contém escrita cuneiforme. As informações foram parcialmente recuperadas e a interpretação é bastante precisa. O texto diz: 29 086 unidades de cevada foram entregues ao longo de 37 meses ao funcionário estatal Kushim, responsável pela produção de cerveja no templo de Ishtar, em Uruk.

Expansão na Índia – há 3800 anos

Embora o passo fundamental seguinte tenha sido a disseminação da escrita na Europa, vale a pena mencionar a Índia, que produzia conteúdos extensos para fins religiosos e filosóficos.

Um exemplo perfeito são os Vedas, que constituíam a base do vedismo da época. Embora hoje um livro volumoso nos faça sobretudo pensar na Bíblia, os Vedas são seis vezes mais extensos.

A Ásia do Sul e Central ditava o ritmo em muitos outros textos religiosos, sobretudo durante o período do bramanismo. Falamos aqui das Upanishads canónicas (textos auxiliares às técnicas de meditação) ou do Panchatantra (uma grande coleção de fábulas).

História do copywriting – o desenvolvimento propriamente dito

O desenvolvimento propriamente dito do copywriting ocorreu com a revolução tecnológica, que aumentou drasticamente o acesso à escrita por parte de um público mais vasto.

A invenção do papel – há cerca de 2000 anos

Antes de surgir a era da impressão, era necessário existir um suporte mais barato e fácil de produzir em massa do que o pergaminho ou o papiro. A invenção do papel, atribuída ao funcionário chinês Cai Lun em 105 d.C., foi decisiva. O papel reduziu drasticamente os custos de preservação da informação e, ao longo dos séculos seguintes, espalhou-se pelo Médio Oriente e, por fim, pela Europa, preparando o terreno para a revolução editorial.

Os primórdios da impressão – há mais de 570 anos

Embora já se produzissem na Europa medieval obras literárias monumentais, como a anónima Canção de Rolando, datada da transição entre os séculos XI e XII, ou a Divina Comédia, escrita por Dante no início do século XIV, a sua reprodução manual limitava drasticamente o alcance. A verdadeira mudança ocorreu no século XV, quando começaram a surgir cópias impressas de grandes textos.

O primeiro livro impresso na Europa com tipos móveis foi a Bíblia de Gutenberg, publicada em 1455. É importante, no entanto, recordar que a popularização da impressão foi lenta. Durante o meio século seguinte, os incunábulos surgiram apenas esporadicamente e são hoje documentos de enorme valor histórico.

Apesar de tudo, as etapas mais difíceis estavam ultrapassadas: a partir desse momento, quase todas as obras passaram a chegar ao público em formato impresso. Era apenas uma questão de tempo até que os conteúdos comerciais alcançassem um número maior de leitores.

A imagem apresenta Johannes Gutenberg.

Johannes Gutenberg, criador do primeiro método de impressão europeu com tipos móveis.

O desenvolvimento da imprensa – 1609

A invenção das máquinas de impressão permitiu o desenvolvimento da imprensa em grande escala.

Os primeiros jornais impressos foram publicados em 1609, como o Relation, de Estrasburgo. O desenvolvimento da imprensa permitiu disseminar informação em grande escala. Os empresários perceberam, assim, que valia a pena colocar anúncios aos seus produtos nos jornais.

A criação da primeira agência de publicidade – 1841

Com o desenvolvimento da imprensa, o mercado de anúncios comercializou-se. Em 1841, Volney B. Palmer abriu, em Filadélfia, a primeira agência de publicidade do mundo. Inicialmente, trabalhava como corretor de espaço publicitário em jornais locais. Foi um momento decisivo, pois separou o negócio da publicidade como um setor autónomo, criando nas décadas seguintes procura por autores profissionais de slogans e textos promocionais.

A construção da máquina de escrever – 1867

Um marco indiscutível no desenvolvimento do copywriting foi a invenção da máquina de escrever, que facilitou significativamente a criação de textos e a mecanização do trabalho. Foi criada pelo jornalista norte-americano Christopher Latham Sholes em 1867.

Os pais do copywriting

Entre as muitas invenções e acontecimentos que permitiram o desenvolvimento do texto, merecem também atenção os criadores considerados os pais fundadores do copywriting. Entre os mais importantes encontram-se:

  • John Emory Powers – considerado o primeiro copywriter profissional, trabalhou para empresas como uma espécie de freelancer; defendia que o texto publicitário devia ser simples, objetivo e baseado em factos;
  • Bruce Fairchild Barton – escritor e político norte-americano, foi proprietário de uma agência de publicidade; durante uma campanha para o Alexander Hamilton Institute, criou o conceito de storytelling;
  • Claude C. Hopkins – concentrava o seu trabalho na obtenção dos melhores resultados de vendas possíveis através da publicidade; escreveu o conhecido livro Publicidade Científica;
  • David Ogilvy – chamado “o pai da publicidade moderna”; nas décadas de 1950 e 1960 revolucionou o setor (a chamada Era Dourada da Publicidade), dando enorme importância à pesquisa aprofundada, aos testes de eficácia dos títulos e ao respeito pela inteligência do consumidor; é autor do livro de culto Ogilvy sobre a Publicidade;
  • Eugene Schwartz – destacado criador de copywriting de resposta direta (marketing direto); formulou o conceito fundamental dos “níveis de consciência do cliente” (customer awareness), que continua a ser a base das estratégias de vendas.

O desenvolvimento da internet e a disseminação dos conteúdos – desde 1990

Embora tenhamos abordado de forma sucinta 5000 anos de desenvolvimento da escrita, a verdadeira história do copywriting desenrola-se diante dos nossos olhos como parte inseparável do desenvolvimento da humanidade.

Durante milénios, as pessoas enfrentaram a escassez de informação. Contudo, desde a década de 1990, a expansão drástica dos conteúdos na internet fez com que o principal problema passasse a ser o ruído informativo e o excesso de dados.

Os primeiros anos do novo milénio ficaram marcados pelo chamado copywriting SEO, que inicialmente assentava na inserção artificial e massiva de palavras-chave, ou seja, no chamado keyword stuffing (acompanhado do uso de negrito nas expressões-chave para manipular os algoritmos). Por sua vez, depois de 2010, o desenvolvimento das redes sociais obrigou ao surgimento de microconteúdos (short-form copy), que promoviam a máxima concisão da mensagem.

Os algoritmos atuais dos motores de pesquisa enfrentam continuamente uma onda crescente de materiais de baixa qualidade e de farms de conteúdo. Embora as diretrizes E-E-A-T (Experiência, Especialização, Autoridade e Fiabilidade) representem o padrão do mercado orientado para a mais elevada qualidade, o copywriting contemporâneo move-se num amplo espectro – desde textos especializados aprofundados e profissionais até conteúdos produzidos em massa.

Em vez do simples preenchimento das páginas com palavras-chave, o foco passou para a análise dos algoritmos e das intenções dos utilizadores. Foi precisamente esta evolução digital que preparou o terreno para a enorme mudança provocada pela entrada da inteligência artificial.

A revolução da IA e o copywriting contemporâneo – desde 2023

Desde 2023, o mercado do copywriting passou por uma nova e profunda transformação, graças à popularização da inteligência artificial generativa, como os modelos de linguagem avançados (LLM). A IA tornou-se um assistente comum no trabalho criativo, automatizando a criação de rascunhos, a estruturação de dados e a otimização inicial para SEO.

Atualmente, a profissão de copywriter evoluiu claramente. Os autores de textos desempenham hoje, em grande medida, funções de estrategas de conteúdos, editores e engenheiros de prompts, que orientam o trabalho da inteligência artificial. O maior valor de mercado pertence aos especialistas capazes de combinar a experiência humana com uma utilização competente das ferramentas de IA.

O mercado continua a mudar rapidamente, por isso resta-nos observar as próximas tendências e verificar o que trará o futuro.

Resumo

  • A história do copywriting remonta a milhares de anos, embora o seu crescimento repentino tenha ocorrido recentemente, dando origem a uma profissão relativamente nova na sua forma atual.
  • Entre os acontecimentos importantes para o desenvolvimento do copywriting encontram-se a invenção da escrita, do papel, da impressão e da máquina de escrever, o desenvolvimento da imprensa e a fundação da primeira agência de publicidade no século XIX.
  • No século XX, pioneiros como David Ogilvy moldaram o setor, introduzindo a psicologia, a investigação e os testes de eficácia na criação de textos.
  • Antigamente, um livro era sinal de riqueza; hoje, porém, realizamos ações estratégicas e complexas para apresentar um conteúdo ao maior número possível de utilizadores.
  • Os últimos anos demonstraram que o copywriting é uma profissão muito suscetível a mudanças, pelo que é impossível prever o futuro.

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